sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Jornal Fortaleza Decor - Terceira Edição

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Editorial - Terceira Edição

Mais um ano começa e o espírito de renovação se reflete em vários setores de nossa vida. Na decoração de interiores não é diferente e essa década se inicia com muitas novidades e transformações.
O jornal Fortaleza Decor inicia o ano com esse mesmo sentimento de renovação e traz nessa primeira edição a Madeira como tema principal.
Tendo sempre a sustentabilidade como um dos pilares dessa publicação, na matéria de capa "Sua Majestade, a Madeira", abordamos a valorização crescente desse produto no segmento de decoração de interiores, o modo como podemos valorizar nossas florestas trazendo a certificação como aliada principal de sua preservação e o crescente uso da madeira ecológica em projetos de arquitetura como no caso da "Casa de Eucalipto" idealizada pelo arquiteto Henry Texeira. Um exemplo da boa utilização do produto cerfificado, agregando além da sustentabilidade, beleza e economia ao projeto.
Também apresentamos nessa edição o talento do decorador Sidney Viana, utilizando diferentes técnicas na reforma de móveis e Felipe Maranhão, o Origamista, mostrando um pouco da delicada arte da dobradura de papel.
Na seção Vitrine, o leitor conhecerá mais sobre o belo espelho veneziano com o decorador Carlos Zaranza, lerá sobre os cuidados e preservação de um bem tão precioso como a água em Mundo Sustentável e conhecerá mais sobre o termo Vintage com o Professor Neandro Nascimento. Desejamos uma boa leitura e um ano de 2010 repleto de realizações!

Reforma - Sob o signo do Talento


Sidney Viana trabalha com talento na arte de reforma de mobiliários.

Quem nunca teve aquele móvel de estimação que em hipótese nenhuma sonharia em jogar fora?

Aquela cômoda da vovó toda em madeira maciça que só de olhar remete aos bons tempos da infância, mas que ficaria linda em pátina provençal?

Quem nunca guardou a foto daquela cadeira de design art noveau que ficaria divina em sua sala?

Mais do que simples peças de ambientação, alguns móveis são tão importantes e vitais para nós que não conseguimos pensar na idéia de dar, vender ou simplesmente jogar no lixo.

Com algumas peças sonhamos, visualizamos suas formas em cores nítidas. Conseguimos sentir sua textura e até seu cheiro. Tê-las em nosso mobiliário é uma conquista.

Foi pensando em transformar sonhos em realidade que o decorador Sidney Viana começou há vinte anos a aprender as diferentes técnicas que permitem reformar móveis sem que eles percam suas características de época e estilo.

Sidney utiliza as mais variadas técnicas em seu trabalho. Pátina, pátina provençal, decapage, laca provençal, folheação a ouro, prata e bronze, restauração verniz, pinturas especiais e satiné são algumas delas. Também fabrica e aluga móvel e peças de design famosas, algumas delas expostas em sua loja aberta há quase um ano.

Com toda essa versatilidade o decorador desenvolve projetos em variados segmentos. Algumas de suas peças exclusivas como artista plástico estão também expostas em sua loja provando que em seu caso arte e talento sempre andam juntos.
Texto: Eliza Souza

Design - O que é ser Vintage?


O termo vintage esteve e está na moda! O termo vem carregando terminologias como “resignificação” e “resignificância” ou ainda “descontextualizar” para “recontextualizar”. Mas o que isso quer dizer? Qual o significado? Qual é o contexto?
Primeiramente devemos conhecer o que é vintage!

Ao pé da letra, vintage significa safra boa de boas uvas. Portanto, se dermos resignificado ao termo, podemos considerar que vintage , em arte e design, é trazer de volta “boas safras” de obras de arte e de design, ou seja, objetos que marcaram uma época, um movimento, um estilo, uma linguagem, ou simplesmente elementos decorativos que compunham um repertório de formas de uma época, um movimento, um estilo, uma linguagem... Pode-se dizer que nem tudo que é antigo é vintage.

Grande exemplo disso, foram os relançamentos de carros como o Dodge Challenger, o Chevrolet Camaro e o Ford Mustang, todos com características, formas e principais linhas, similares as dos modelos lançados na década de 60.

Vale ressaltar que os ambientes contemporâneos (final do século XX / início do século XXI) tenderiam a ficar inundados de frieza e monotonia, diante do universo do Design de Interiores marcado por um renascimento (nenhuma conotação com o Renascimento Italiano) do Moderno (final da década de 20, influência da Escola Bauhaus), com móveis de desenho retilínio, com a utilização da madeira, do vidro e do metal, redução de elementos decorativos, principalmente os não funcionais, entre outros.

No entanto, a proposta vintage acabou por salvar os novos projetos, já que a busca pelo novo foi o resgate ao passado, contemplando as mais interessantes representações de arte e design da história. Os ambientes atuais são sutilmente pontuados com objetos e elementos decorativos que encontram similaridade com obras do passado, com suas graciosas curvas, cores, efeitos, entre outros aspectos.
Aguardam-se, para um futuro próximo, propostas vanguardistas para o Design de Interiores e para a Arquitetura brasileiros, prática esta já comum em países da Europa e no Oriente bem abastado de riquezas como Bahein.

Por fim, um apelo: livremo-nos das amarras do passado para desenvolvermos um Design e uma Arquitetura com identidade, brasileira, com influências “vintagistas” sim, pois estas fazem parte da nossa escola, mas com o nosso tempero.
Texto: Neandro Nascimento
Designer/ Professor / Ergonomista.

Galeria - A Casa de Eucalipto de Henry Teixeira

A beleza e o bom preço foram dois dos fatores que levaram o Arquiteto Henry Teixeira a utilizar o Eucalipto em um dos seus projetos. A escolha dessa espécie como madeira estrutural da casa partiu de conversas preliminares com o cliente onde houve uma identificação em relação ao visual do eucalipto e seu caráter ecológico.
Segundo o Arquiteto se optasse por usar outra madeira na mesma espessura de pilar que usou no projeto sairia muito caro. Foi escolhido então o eucalipto que teve um bonito efeito com pilares robustos, feitos de madeira ecologicamente correta, visto que provenientes de áreas reflorestadas.

“O EUCALIPTO TEM FEITO BASTANTE SUCESSO NO PAÍS INTEIRO PRINCIPALMENTE NA BAHIA E REGIÕES SUL E SUDESTE, PELO SEU CARÁTER ECOLÓGICO E POR TEU UM APELO ESTÉTICO DIFERENTE DO QUE SE VINHA USANDO NOS ULTIMOS ANOS”.
Henry Teixeira

Mundo Sustentável - Economia e reuso de água


Terra, planeta água. Mais que tema de canção vencedora de festival é antes de tudo uma frase muito verdadeira, visto que, ¾ da superfície terrestre é coberta por água, onde apenas 0,8% são de água doce, menos que 1% de toda água disponível no planeta.

Constituída de duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio, dela nasceram as primeiras formas de vida há milhões de anos. Tida como elemento purificador em diversas religiões desde os primórdios da antiguidade, no mundo moderno sua presença é vital para a garantia da existência de cidades, campos, criação de animais, plantações e indústrias.

As reservas naturais de água vêm diminuindo em virtude do excessivo consumo por parte da população mundial. A natureza não está conseguindo suprir essa demanda que cresce assustadoramente ano após ano. Em contrapartida para agravar ainda mais a situação, a humanidade vem poluindo essas reservas naturais diminuindo ainda mais sua capacidade de abastecimento.

O Brasil é a maior reserva hidrológica do mundo. Cada brasileiro tem disponível cerca de 34 milhões de litros de água doce, embora um percentual expressivo da população nas cidades não tenha acesso a uma rede de água e esgoto. Em outros países a água já é um artigo de luxo e a falta de reservas naturais em algumas décadas se tornará um problema gravíssimo.

Diante desse quadro poderíamos nos considerar em uma situação confortável e olharíamos para o futuro confiantes e tranqüilos. Não podemos esquecer, porém, que em um país que possui uma matriz energética com base em usinas hidrelétricas, eletricidade e água são irmãs. A diminuição dos níveis das hidrelétricas ocasionadas pelas secas ao longo dos anos promoveu apagões e uma queda substancial na economia do país se refletindo no PIB. O aquecimento global que promove esse desequilíbrio no clima nos faz voltar os olhos para o desperdício energético que ocorre no Brasil e no mundo.

Para começar a cuidar disso, medidas de economia de água e energia podem ser tomadas no dia-a-dia em nossas casas. Vão desde hábitos pessoais e domésticos muito simples a uma mudança estrutural. Medidas como: escovar os dentes ou fazer a barba com a torneira fechada, controlar o tempo no banho, somente usar água corrente quando for enxaguar a louça, acumular roupa suja e lavar tudo de uma vez só na lavadora (preferindo as front load que economizam água e energia elétrica), trocar as válvulas de descargas por caixas que são acopladas ao vaso sanitário (daquelas que se limita o volume de descarga), trocar lâmpadas incandescentes por fluorescentes ou pelas modernas LED, evitar o uso de ar-condicionado trocando se possível por ventiladores, não usar mangueiras para lavar pisos, automóveis, calçadas etc.

Na reutilização ou reuso de água há a possibilidade de ir ainda mais adiante. O aproveitamento de água de chuva, um projeto inspirador, mas ainda sem aplicação imediata pela população das cidades, em regiões de chuvas intensas poderiam representar até 100% de água consumida em uma casa inteira.

Sua imediata aplicação é dificultada por alguns motivos. Pouco espaço para instalação de cisternas, controle rígido das primeiras águas de chuva coletadas e alto custo são algumas das dificuldades para implantação desse projeto.

A legislação brasileira encara as águas de chuva como esgoto, pois ela vai dos telhados para os pisos e bocas de lobo carregando todo tipo de impurezas que vão desaguar em um córrego que por sua vez dará em um sistema de captação de água potável.

O reuso da água presente no esgoto é um dos projetos mais aplicados em todo o mundo. O esgoto quando tratado e devolvido aos rios é limpo o suficiente para ser usado em indústrias, rega de parques e lavagem de ruas. A água de um esgoto tratado poderia substituir cerca de 40% da água potável consumida no lar, porém, a distribuidora não tem condições de utilizar mais um sistema para oferecê-lo ao consumidor final, visto que, já há a implantação de um sistema para água potável.

O reuso de água de banho é uma das opções mais interessantes quando se visa a redução do uso de água potável em operações simples como descargas de vasos sanitários. Chamada de água cinza, é muito utilizada em outros países. Vários projetos vêm sendo desenvolvidos de maneira muito satisfatória e são considerados baratos e seguros, pois todo o sistema é feito em um circuito fechado – chuveiro, ralo de Box, reservatório fechado e vaso sanitário – utilizando-se filtros e tratamentos para reutilização da água. Esses sistemas respondem até 30% ou mais de economia de água em uma casa e são absolutamente viáveis.

De olho no futuro e sabendo que a água se tornará um recurso cada vez mais raro em nossas vidas, cada um de nós seres humanos pode tomar pequenas atitudes que surtirão um grande efeito no futuro. Podemos começar deixando bem fechadas as torneiras. O meio ambiente agradece.

Texto: Eliza Souza

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Entrevista - A Marcenaria em Fortaleza

Cadeira Nilse - Alunas do Curso de Designer de Interiores da Faculdade Estácio FIC

Quais as perspectivas do profissional da marcenaria em Fortaleza? O que pensa esse profissional que lida diariamente com essa nobre matéria que é a madeira? Os destinos da marcenaria em nossa cidade, que antes de ser profissão é sobretudo uma arte. Sobre esses tópicos o Jornal Fortaleza Decor entrevistou Nilson Monteiro fundador da AMFOR - Associação das Marcenarias de Fortaleza e Professor Robson Gomes, Coordenador do Curso de Design de Produtos da Faculdade Estácio FIC.


Fortaleza Decor - Professor Robson, como está o mercado de marcenaria aqui em Fortaleza?

Prof. Robson- O mercado da marcenaria tem crescido e todo mercado é impulsionado pela economia. A economia aqui de Fortaleza foi gratificada pela chegada de muitas lojas de móveis modulados, mas nem todo cliente fica satisfeito com apenas essa opção. Ele vai à loja, mas encontra outra possibilidade de pesquisa que são os Marceneiros. Estes fazem o mesmo serviço, alguns deles até com qualidade superior. Vejo que o mercado da Marcenaria tem sido impulsionado tanto com a chegada de lojas que vendem o mesmo serviço de confecção e instalação de produtos quanto pelos profissionais que atuam no mercado hoje como o Designer de Interiores. Acho que o futuro da Marcenaria no Ceará vai ser muito parecido com o dos maiores pólos que temos no Sul do país onde foi criado um pólo de marcenaria industrial. Vejo a marcenaria industrial como o futuro da marcenaria daqui de Fortaleza. Para ter essa marcenaria industrial aqui se precisa ter excelência no serviço, qualidade no produto final e organização para se começar um trabalho realmente evitando perdas e prejuízos pra o cliente.


Fortaleza Decor - Que faz o cliente preferir um trabalho de marcenaria a uma loja de móveis pré-moldados?

Prof. Robson- Aí nesse caso temos dois tipos de móveis: móveis sob-medida e móveis prontos que são chamados tecnicamente de mobiliário de composição. O que vai levar a pessoa a procurar um marceneiro para substituir um mobiliário de composição seria a personalização do ambiente dele. Então o marceneiro tem condições hoje de auferir as medidas do local e adaptar o mobiliário ao gosto do cliente, ou seguir um projeto de um profissional, um serviço similar ao serviço das lojas. A grande vantagem do cliente é que ele vai ter um ambiente personalizado. É como se o mobiliário tivesse crescido dentro da casa dele, onde tudo já estava no local certo. Por outro lado não vejo barreira do marceneiro trabalhar com móveis de composição. Fazer estrutura de madeira e trabalhar com parceiros que vão colocar a espuma, que vão colocar o tecido, que vão colocar outro material agregando à composição do mobiliário que não tem esse domínio, essa tecnologia na marcenaria dele. Se não tiver como fazer um trabalho com vidro, ter um parceiro de uma vidraçaria que vai colocar, por exemplo, portas de vidro no mobiliário, trabalhar com pastilhas de vidro, todos os componentes que podem estar inseridos no projeto.


Fortaleza Decor - Quais são os projetos que existem aqui em Fortaleza para melhor qualificação da marcenaria?

Nilson (AMFOR) - Há 10,12 anos o SENAI ofereceu cursos não apenas direcionados à marcenaria, mas direcionados a indústria moveleira como um todo. Como a demanda era pouca, o curso acabou se esvaindo pela pouca freqüência e agora no momento está havendo novamente uma demanda na necessidade de treinar esse profissional de marcenaria agora puxado pelas marcenarias que estão se desenvolvendo, evoluindo para uma forma mais industrial e atualmente nós podemos dizer que o SENAI não dispõe de curso nenhum para marcenaria a não ser aqueles cursos de metromegia, que ensina como ler projetos, como tirar medidas. Técnica mesmo da marcenaria não dispomos de nenhum. O que as marcenarias têm hoje de facilidade de administração são os cursos do SEBRAE na área humana, na área administrativa, mas o “chão de fábrica” tem uma demanda muito grande e aberta. É uma solicitação da AMFOR juntamente com parceiros para que isso possa ter em pouquíssimo tempo aqui no Ceará.


FD- Sabemos que na parte de planejamento de um ambiente existe a seção marcenaria. Qual a importância que o profissional, o arquiteto ou o designer de interiores dá a essa questão da marcenaria aqui em Fortaleza?

Prof. Robson – Vai depender muito do projeto, mas em sua maioria a madeira é ainda um dos materiais mais presentes nos projetos de interior. A madeira e o vidro, até por que em Fortaleza a gente tem uma maresia muito forte e trabalhar com inox e alumínio fica um pouco mais caro. Então madeira hoje é bastante utilizada e bem viável pela nossa condição natural


FD – E a questão do design. Aqui em Fortaleza se faz trabalho em marcenaria utilizando um design mais moderno, mais competitivo?

Nilson - A AMFOR, tem se destacado exatamente por dar grande importância a esse ponto. Percebemos que as empresas de marcenaria estão tendo uma evolução. Estão formando um novo conceito. Elas em parceria com um designer ou um arquiteto também passaram a oferecer aos clientes ambientes prontos e modernos, tornando-se assim cada vez mais competitivas.


FD – De um modo geral existe a possibilidade do trabalho de marcenaria aqui de Fortaleza melhorar?

Nilson - Eu costumo dizer que a marcenaria tem problemas mais ou menos parecidos com os da construção civil. A construção civil aqui de Fortaleza a mais ou menos 10 anos tinha problemas de toda natureza. Hoje a marcenaria tem os mesmos problemas, mas nós já temos um atenuante na trajetória que é o sindicato de associações que trabalha no sentido de que haja uma evolução. Existe um mercado muito grande, existem largas avenidas a serem ocupadas, desde o desenvolvimento de produto para ótica, clínicas, lojas, e ainda a malha comercial como um todo, de pessoas físicas, de pessoas jurídicas, e não somente pessoa física onde a marcenaria é mais atuante. Existindo essas grandes possibilidades se exige também que a marcenaria possa ter uma evolução no seu negócio. Hoje ela mais do que nunca precisa se organizar porque as lojas de modulados estão avançando de uma forma assustadora. Algumas marcenarias ainda têm uma postura antiquada, e esse grupo vem exatamente trazer essas empresas para o presente. Fazendo com que essa evolução possa acontecer com mais rapidez, por que o mercado não espera e a gente sabe que existem hoje em dia muitas marcenarias fechando. Quem tem dinheiro investe, e quando se investe tem mercado e isso nós temos visto dentro das marcenarias da AMFOR. Nós observamos, por exemplo, que o mercado da zona norte do estado é super-aberto para todos. Não só englobaria Sobral como toda aquela região em torno de Sobral e o potencial é muito grande. Nós sabemos que esse mercado existe e para que possamos ter uma boa fatia dele é necessário ter muita organização e muita mudança de atitude.


FD- As intituições acadêmicas tem demonstrado interesse em estabelecer parcerias?

Prof. Robson- Total interesse. A gente precisa muito do profissional que está no mercado trabalhando com marcenaria para dar um apoio aos professores em sala de aula. Palestras, onde o Nilson é frequentemente convidado a expor um pouco do dia-a-dia dele, da sua experiência no mercado e o tipo de serviço que ele presta. Estar perto da marcenaria e da escola, estar junto da escola e da marcenaria, uma troca de experiências. Nós temos que contar com apoio daqueles que vieram com a gente lá do inicio há quatro anos, quando começou a preocupação com o design e a fazer esta parceria. Todo setor ganha por ter profissionais preocupados em dar uma nova visão a esse mercado. Ficamos muito lisonjeados em ter essa parceria, isso a gente fala todos os dias e nos colocamos a disposição deles. Quando eu conheci a AMFOR ela ainda era OMAF e eu senti uma facilidade muito grande em trabalhar com eles. Foi impressionante como eles conseguiram assimilar o conceito do design, esse conceito de reaproveitamento de sobras, o conceito da marcenaria limpa, este conceito da economia industrial voltada para indústria madeireira, a conscientização que eles tem do uso da madeira de reflorestamento, o controle de estoque de madeira. Vejo como parceiros muito inteligentes, que assimilam rápido os conceitos mais modernos que temos hoje na marcenaria, na marcenaria industrial.


FD – Para gente finalizar, tem alguma consideração final?

Prof. Robson – Minha consideração final seria mais um conselho. Eu acho que é uma classe que tem que estar sempre unida, que precisa investir em maquinário, pois a concorrência muitas vezes se torna até desleal e se eles realmente não investirem em maquinário não terão condições de apenas com a experiência estar em um mercado que cresce muito rápido.

Nilson – Hoje a marcenaria tem que caminhar mais para realidade industrial. Estar sempre atualizada e planejar o modo que ela vai fabricar. Estar sempre “antenada” com os lançamentos, participar de feiras, participar da palestras, de grupos de discussões, de encontros com nossos parceiros, para que possamos ter cada vez mais esclarecimento e conhecimento e assim nos tornarmos cada vez mais empresas e empresários de sucesso.

Capa - Produtos Ecologicamente Corretos


Há ainda um desconhecimento por parte da população com relação ao que vem a ser a madeira ecológica, produto que já vem sendo amplamente utilizado nos atuais projetos arquitetônicos e de ambientações.

Um dos tipos de madeira ecológica é a madeira certificada. Ela atende a toda legislação, assim como a madeira de reflorestamento, mas tem alguns passos que são cumpridos além da pura legislação. Esse tipo de madeira tem a certificação do FSC (sigla em inglês para a palavra Forest Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal, em português), uma certificação que é considerada até mais importante que o ISO 9000. É o selo verde mais reconhecido do mundo. Ele comprova que a extração da madeira passou por todos os elos da cadeia produtiva e atende a todos os quesitos de sustentabilidade. Atesta que o produto é resultado de um processo produtivo manejado de forma ecologicamente adequada, socialmente justa e economicamente viável.

A madeira certificada é utilizada tanto em projetos corporativos como projetos residenciais. Principalmente arquitetos e decoradores vêm, procurando muito esse tipo de material para valorizar o seu trabalho.Quando determinada madeira não é encontrada com essa certificação muitas vezes procura-se madeiras alternativas para atender esse tipo de cliente.

O MDP e o MDF são uma alternativa eficiente e prática e são produtos ecologicamente corretos. Tem-se a impressão que por serem produtos industriais podem ser nocivos ao meio ambiente, porém, tanto o MDF como o MDP são feitos de “coníferas” que são madeiras que não são originárias do Brasil. São madeiras plantadas. Tanto fabricantes como fornecedores de MDF e MDP já estão certificados pelo FSC, já atendem portanto, a todos os quesitos mencionados de sustentabilidade. A certificação do FSC vem coibir práticas criminosas como a mão-de-obra escrava e mão-de-obra infantil. A extração da madeira utilizando manejos de alto impacto ambiental também não permitem que a empresa use o selo da FSC.

É bom salientar que as árvores nativas também se encontram no mercado com o selo de certificação do FSC, e ele é de extrema importância para nossas florestas. Trazendo a elas um manejo sustentável se evita sua exploração, e, por conseguinte, sua extinção dando-lhe um valor comercial. O incentivo ao uso da madeira tropical é bem vindo desde que a madeira seja bem manejada. Florestas bem manejadas e certificadas garantem que o processo todo foi cumprido.

Existe uma variedade de produtos certificados. Madeiras como Eucalipto, Pinus, MDP, MDF, compensados e madeira bruta já são bastante utilizados nas marcenarias, respondendo até a um percentual expressivo do seu faturamento.

Com a certificação o temor de comprar produtos que são nocivos ao meio ambiente inexiste. Os produtos não certificados não nos dão essa garantia e o comprador tem que se informar se os mesmos foram fabricados com baixo consumo d’água, baixo consumo energético, que a matéri-prima é de produtos reciclados e não nocivos ao meio ambiente.
Texto: Eliza Souza

Capa - A Madeira é de Lei!


Madeiras de árvores certificadas estão cada vez mais presentes na decoração de interiores.

Acaiacá, Guarandi, Ipê, Imbuia, Jacarandá, Mogno, Angico, Pau-Brasil, Andiroba, Araribá são apenas algumas das espécies de árvores existentes na rica flora brasileira, muitas delas entrando em processo de extinção e de valor altíssimo no mercado.

Conhecidas como madeiras de Lei são altamente resistentes a temperaturas e ataques de insetos. No tempo do Brasil colônia, essas árvores que produzem madeira nobre eram protegidas por lei e só o governo poderia extraí-las. A primeira espécie a ser considerado monopólio da coroa foi o Pau-brasil que já naquela época se tornava escasso devido a sua excessiva exploração. Atualmente existe uma legislação específica para cada espécie.

Muitas outras espécies também compõem a flora brasileira, algumas delas são: Cerejeira, Cedro, Angelim - pedra, Curupixá, Cumaru, Jatobá, Louro-vermelho, Marupá, Maçaranduba, Muiracatira, Pau-marfim, Pequiá, Pinus, Sucupira dentre muitos outras, nos trazendo uma infinidade de texturas, cores e cheiros, alguns deles característicos somente de nossas florestas.

Tradicionalmente utilizada na construção civil a madeira é cada vez mais empregada como elemento de enfeite para espaços internos. Seja em seu estado bruto ou em forma de painéis de madeira industrializada, chegam às marcenarias onde são largamente utilizados como revestimento de paredes, pisos, móveis dentre outros. A beleza e funcionalidade da madeira são imprescindíveis em um bom projeto arquitetônico e de interiores. Contribui em muito com sua diversidade de tonalidades, resistência, elegância e sobriedade.

Não bastasse toda essa supremacia ante os outros materiais, a valorização da madeira em tempos atuais se dá também como uma tentativa de salvar as florestas. Um bom projeto de decoração pode ser lindo e ecologicamente correto. As madeiras de reflorestamento e as madeiras certificadas e de demolição estão atualmente presentes na maioria dos ambientes apontando uma tendência mundial. Morar bem não precisa necessariamente ser sinônimo de desperdício e má utilização de recursos naturais.

A extinção e dificuldade de obter algumas espécies levaram a diversificação da madeira usada na construção. A fiscalização ambiental sobre a extração de madeira muito mais rígida e nova consciência ambiental, nos leva a solução de trocar espécies ameaçadas, como o ipê, por peças com desempenho semelhante, obtidas pelo reflorestamento ou cultivo, como teca, eucalipto e angelim. Os painés de madeira também são uma solução de baixo custo para mobiliar nossas casas, além trazer ao projeto beleza e praticidade.
Texto: Eliza Souza

Vitrine - Artigo de Museu

Tão bela e rara quanto uma pintura renascentista a arte veneziana está exposta no Museu do Louvre

O espelho é um recurso extremamente útil quando se trata da criação de um efeito de maior amplitude aos espaços, dando a sensação de duplicidade de qualquer item que esteja sob ou a frente dele, ampliando efeitos visuais. Porém, quando falamos de espelhos venezianos, estamos nos referindo a algo acima de tudo belo e surpreendente.

A origem destes espelhos se deu na Veneza do século XIV, quando surgiu a técnica do espelho de superfície lisa e fundo metálico que utilizamos até hoje. Antes desta revolução técnica - que envolvia vidro e mercúrio - os espelhos eram feitos a partir de metais polidos, como a prata e o bronze. Para se ter uma idéia, basta saber que um espelho veneziano custava mais do que uma pintura de gênios renascentistas como Rafael ou o equivalente a um navio de guerra. O valor artístico dos espelhos venezianos é tão grande que um de seus exemplares está exposto no Museu do Louvre.

O monopólio veneziano foi quebrado na década de 1660, durante o reinado de Luís XIV conhecido como o Rei Sol, representado pelo luxo do Palácio de Versalhes. O Rei ordenou que seu ministro das finanças subornasse artesãos de Veneza para que vendessem seus segredos. A impressionante Sala dos Espelhos em Versalhes mostra que o plano foi vitorioso, pois seus belos espelhos seguem o modelo veneziano de fabricação.

Seja qual for o estilo decorativo da composição, eles vão bem em ambientes que vão do clássico ao moderno,sejam em halls,livings,salas de jantar ou mesmo em lavabos,tornado-se sempre atração nos espaços.Vale ressaltar que aqueles mais antigos e já corroidos pelo tempo tem o mesmo valor estético que os novos recém saídos das lojas...Importante mesmo é saber que em qualquer situação,estarão sempre em posição de destaque.
Texto: Carlos Zaranza
Decorador / Consultor / Professor